Comendador Pereira Inácio

António Pereira Inácio nasceu a 29 de março de 1874 na freguesia de Baltar, filho de João Pereira Inácio e Maria Coelho Pereira. Partiu ainda criança para o Brasil, na companhia do pai, ele já emigrante neste país, e instalou-se em São Paulo, na cidade de Sorocaba, na casa de José e Lucrécia Pereira Inácio, tios do futuro Comendador. Nesta cidade, pai e filho trabalhavam como sapateiros, mas, à noite, Pereira Inácio frequentava a escola, onde aprendia as primeiras letras.
 
Em 1888, começou a trabalhar no comércio, na Casa Ferreira Júnior & Saraiva. Algum tempo depois, seguiu para o Rio de Janeiro para trabalhar numa empresa importadora de tecidos, propriedade do Comendador João Reinaldo Faria (português natural de Guimarães, emigrante no Brasil, dedicado à importação de tecidos, e que foi agraciado com a Comenda da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa, por decreto do Rei D. Carlos, a 29 de janeiro de 1903).
 
Em 1892, com 18 anos, criou o seu próprio armazém com a ajuda do pai. Com 20 anos, deslocou-se para Botucatu, onde dirigiu a firma Rodrigues & Pereira, que abastecia a população ferroviária da Companhia Sorocabana. Aqui conheceu Lucinda Rodrigues Viana, com quem viria a casar em 1899 e com quem teria três filhos: João, Paulo e Helena.
Foi um empreendedor: desde 1899 até final do 1.º terço do século XX, desenvolveu uma indústria relacionada com o algodão (a fábrica Santa Helena), com o objetivo de aproveitar as suas sementes e produzir óleo vegetal, e a fábrica de cimentos Lusitânia, dedicada à preparação, fiação, tecelagem e estamparia do algodão; em 1915, adquiriu uma fábrica de tecidos; em 1918, adquiriu o Banco União, assim como a Sociedade Anónima Fábrica Vorantim, que presidiu até à sua morte, em 1951. Nos Estados Unidos, tornou-se no 1.º presidente do Centro das Indústrias de Fiação e Tecelagem.
 
Em 1923, recebeu a Comenda da Ordem de Cristo de Instrução e da Benemerência e a de Mérito Industrial, e, no Brasil, recebeu, em 1936, a Comenda da Ordem do Cruzeiro do Sul, pela mão do então presidente Getúlio Vargas, porque empregava à época mais de 10 mil operários e empregados, que junto das fábricas encontravam agradáveis condições de viver – habitações confortáveis, creche, escola maternal, escola primária, campo de jogos, teatro, igreja, farmácia, consultório médico, biblioteca, numa área superior a 24 mil hectares, servida por quatro estações de caminho de ferro, sendo que uma das estações se chamava “Nova Baltar”. Dotou o sul do Estado de São Paulo com a primeira rede de telefones e eletrificou a estrada entre Votorantim e Sorocaba.
 
Foi apelidado de “Rei do algodão e do cimento” do Brasil, mas possuía igualmente uma vasta extensão de terras onde eram produzidas grandes quantidades de laranja, posteriormente exportadas para Inglaterra.
No Brasil, colaborou com o Hospital de Santo António, o Hospital Santa Lucinda, a Faculdade de Medicina e a Santa Casa da Misericórdia de Sorocaba e combateu o analfabetismo (todos os seus operários aprendiam a ler e a escrever) e, em Portugal, a sua atividade de benemerência refletiu-se no envio de avultadas remessas para promover o desenvolvimento da localidade que o viu nascer e outras limítrofes.
 
Contribuiu decisivamente para a criação e organização da Corporação dos Bombeiros Voluntários de Baltar e ofereceu à Misericórdia de Paredes, em 1931, a soma 5 contos para a construção do Hospital, fazendo nova doação em 1933, o que lhe valeu a nomeação e a colocação do seu retrato na galeria dos irmãos beneméritos. Propôs ainda a criação da Sociedade Humanitária de Salvação Nacional, com o objetivo de ajudar os mais pobres da freguesia de Baltar, tendo para o efeito angariado fundos ou custeado na íntegra a construção ou organização de escolas e de casas para os mais pobres, de uma cantina permanente, de cursos escolares de alfabetização gratuitos e o fornecimento de agasalhos aos necessitados, a instalação elétrica e a maternidade, a creche, onde era distribuída uma refeição ao meio-dia, quer às crianças que a frequentavam, quer às que não iam à escola, num custo total que ultrapassava anualmente os 100 contos.
 
Fonte: textos de Alda Neto

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